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Notas para uma Ecofenomenologia dos Povos Originários da Terra (Parte I)

Atualizado: 20 de dez. de 2022

Ontologia, Natureza, Ciência-Técnica e Contracolonialidade



Às vezes eu acho que todo preto como eu
Só quer um terreno no mato só seu
Sem luxo, descalço, nadar num riacho
Sem fome, pegando as fruta no cacho
Aí, truta, é o que eu acho, quero também
Mas em São Paulo Deus é uma nota de 100
Vida loka
Racionais MC’s – Vida Loka (Parte 2)



O presente ensaio tem por objetivo introduzir a importância dos saberes dos Povos Originários da Terra para a nossa produção de conhecimento e “abertura da realidade”[i]. Esses aspectos[ii] se co-pertencem: o próprio Saber da tradição lega e sustenta a abertura de ser-no-mundo, dito de maneira direta, o que apreendemos da “realidade” não é apenas seu caráter material, mas o que nos é possível de captar em meio ao real[iii] e como se dá a materialidade da realidade, é sustentado por saberes enraizados na História[iv].

Para realizar o caminho desta introdução, buscaremos examinar o modo como ontologicamente a natureza se desvela no paradigma colonial (sustentado pela ciência-técnica), contrapondo a este o que nos é possível colher das Sabedorias Originárias da Terra.

De saída, precisamos compreender que, ao falarmos de um saber, não se trata de um comentário acerca de uma informação possível sobre um determinado tema, mas que, saberes necessariamente produzem modos de desvelamento[v] da “realidade”, como aponta Heidegger, “o conhecimento provoca abertura. Abrindo, o conhecimento é um desencobrimento”[vi].

Que Saber, é o que abre a realidade na Era Técnica[vii]? Heidegger nos diz que “o desencobrimento dominante na técnica moderna não se desenvolve, porém, numa pro-dução no sentido de poiesis[viii]. O desencobrimento, que rege a técnica moderna, é uma exploração que impõe à natureza a pretensão de fornecer energia, capaz de, como tal, ser beneficiada e armazenada”[ix].

Aqui, temos uma abertura de diálogo importante que não pormenorizaremos neste momento, mas onde as mazelas do mundo se encontram: o sofrimento na - e da - mãe terra[x], em suas diversas formas de seres vivos, é fundamentado por uma presença relacional do ser-aí-humano que está Sustentada[xi] em um modo de desencobrimento da Exploração. Desencobrimento este que posiciona como o ser do outro me aparece e vem à luz da realidade.

O modo de desencobrimento da exploração reside essencialmente em um aplacamento das dimensões Ontológicas[xii] dos seres vivos[xiii] em detrimento de uma fixação no caráter material da realidade dos entes. O biologicismo no racismo, a objetificação patriarcal, o especismo do homem-capitalista, todos encontram sua validação exploratória em um modo de desencobrimento fixado num caráter positivista-material. O que sustenta a possibilidade de relação exploratória com as outras formas de vida é justamente o Espírito Técnico de nossa era.

Cotidianamente, como uma árvore ou um animal me aparece, não é algo desconexo do saber que nosso mundo lega: toda a abertura de nossa experiência para os entes é marcada pela sustentação da significância do mundo, da tradição na qual estamos enraizados. Husserl expõe isso de maneira categórica, ao traçar o fundamento da fenomenologia: toda consciência é consciência de. Heidegger, ao “ontologizar” esta afirmação, nos mostra que a experiência de algo como algo se dá em aspectos ontológico-modais, sendo o próprio ser humano o canal de conectividade e manifestabilidade das possibilidades possíveis ontológicas dos entes:

O ‘entre’ do ser-aí supera a separação[xiv]; não na medida em que ele constrói uma ponte entre o seer (a entidade) e o ente como margens por assim dizer presentes, mas na medida em que ele transforma o seer e o ente ao mesmo tempo em sua coetaneidade”[xv].

É a própria presença humana em meio aos entes que possibilita trazer à luz um desvelamento[xvi]possível destes.

Heidegger indaga os modos de desvelamento da Natureza, nos levando a questionar o paradigma epocal no qual nos encontramos, onde a exploração da maquinação técnica é o que rege nosso modo de viver:

“O que ainda são as plantas e os animais para nós, se deduzirmos as utilidades, o embelezamento e a diversão? Se o vivente é o que não exige de nós qualquer esforço, então ele é o que há de mais difícil de ser visto, se tudo está estabelecido com vistas ao que exige esforço e à sua superação, se movimentando na maquinação! Pode haver ‘biologia’, enquanto faltar a ligação fundamental com o vivente, enquanto o vivente não tiver se transformado na outra ressonância do ser-aí? Mas, afinal, precisa haver ‘biologia’ lá onde ela só deriva o seu direito e a sua necessidade do domínio da ciência no interior da maquinação moderna? Toda biologia não destruirá necessariamente o ‘vivente’ e impedirá a relação fundamental com ele? A ligação com o ‘vivente’ não precisa ser buscada completamente fora da ‘ciência’? E em que espaço deve se manter essa ligação? O ‘vivente’, tanto quanto tudo aquilo que é capaz de se tornar objeto, oferecerá ao progresso da ciência possibilidades infinitas e se subtrairá cada vez mais ao mesmo tempo, quanto mais desprovida de fundamento a ciência mesma se tornar. (...) A natureza, extraída do ente pela ciência da natureza, o que acontece com ela por meio da técnica? A destruição crescente da ‘natureza’, ou melhor, que se desenrola simplesmente em direção ao seu fim. O que ela era outrora? O sítio do instante da chegada e da estada dos deuses, quando ela, ainda physis, se baseava na essenciação do seer. Desde então, ela logo se tornou um ente, e então, até mesmo o contraponto da ‘graça’ e, segundo essa degradação, ela é completamente exposta à imposição radical da maquinação calculadora e da economia.(...) Por que se silencia a terra junto a essa destruição? Porque não lhe é concedida a contenda com um mundo, porque não lhe é concedida a verdade do seer. Por que não? Por que a coisa gigantesca homem é tanto mais gigantesca quanto menor ela é?! É preciso abandonar a natureza e entregá-la à maquinação? Conseguimos ainda buscar de maneira nova a terra? Quem é capaz de atiçar aquela contenda, na qual ela encontra seu aberto, na qual ela se cerra e é terra?”[xvii]

Este dilema apresentado por Heidegger, dá contornos compreensíveis para o modo de aparição[xviii]dos seres vivos[xix] em nossa época: a isto, ele chama de Técnica. A Técnica, ao que nos interessa no presente ensaio, é caracterizada por marcar a presença humana em meio aos entes com o caráter exploratório. Dito de maneira mais direta, o próprio saber que sustenta a nossa época nos posiciona em presença relacional com os seres vivos de maneira em que eles não podem mostrar seus modos de ser possíveis através de nós, mas somos nós que extraímos o que desejamos deles. Essa lógica, onde o silêncio que abre espaço para manifestabilidade do Ser dos entes é extinguido, gera uma relação de exploração e dominação humana sobre os outros entes. Aqui, podemos perceber que isto está presente em diversos níveis: é a ciência-técnica que desencobre a natureza como fundo de energia para o “bem” humano; é a colonialidade, o capitalismo e o patriarcado que hierarquiza as diferenças humanas em nome da exploração; etc.

Heidegger pontua o quão o paradigma Técnico de nossa época se trata de uma relação de desrespeito[xx]: “O subsolo passa a se desencobrir, como reservatório de carvão, o chão, como jazidas de minério. Era diferente o campo que o camponês outrora lavrava, quando lavras ainda significava cuidar e tratar. O trabalho camponês não provoca e desafia o solo agrícola”[xxi].


Catarina Nhimbopyruá durante Vivência de Fitoterapia Indígena na Aldeia Tapirema.

Créditos: Vivência na Aldeia e Cultive Resistência.


A herança cultural[xxii] da colonialidade, do capitalismo, da ciência técnica, é a instauração de um modo de presença mediano na terra onde os seres humanos se encontram em desarmonia com o Todo ao qual pertencemos. A grande parcela das mazelas na qual os seres terrestres se encontram foram causadas pela presença humana que não sabe viver em harmonia com outros entes, com outros seres vivos. O Saber técnico reside em um não saber conviver (viver-com, ser-com).

O que os estudos recentes nos apontam (para além do que os atentos percebem no dia a dia da convivência humana) é que mantido o rumo atual da vida na Terra, o futuro é impossível[xxiii]. A Vida na Terra está se tornando impossível pela humanidade estar ancorada no saber do paradigma técnico-científico-colonial-capitalista, ou seja, por estar ancorada em um paradigma de saber onde a Vida[xxiv] se abre na lógica da exploração, em outros termos, temos uma niilização da Vida[xxv], um esvaziamento ontológico da Vida. A pista que Heidegger nos lega para nos reconectarmos com esta dimensão da Vida, envolve o silêncio.

Aqui, silêncio é compreendido como serenidade, deixar-ser[xxvi]. Para Heidegger, “a proximidade em relação ao último deus é o silenciamento”[xxvii]. Que é Deus? A harmonia entre os seres vivos, através do cuidado do ser-aí humano que se torna canal do apare-ser[xxviii] dos entes.

A necessidade do silenciamento frente a maquinação técnica reside em um “deixar essenciar-se que afina completamente toda postura em meio ao ente e todo comportamento em relação ao ente, o deixar essenciar-se do seer como acontecimento apropriador”[xxix].

A busca de uma medida de habitação na mãe terra e de um modo de presença relacional não exploratório, no interior do acontecimento apropriador, tem por finalidade, orientar o ser-aí humano a “tornar-se fundador e o guardião da verdade do seer, ser o aí como o fundamento usado pela própria essência do seer[xxx]: o cuidado, não como pequena preocupação em torno de algo qualquer e não como denegação do júbilo e da força, mas mais originário do que tudo isso, porque unicamente ‘em virtude do seer’, não do seer do homem, mas do seer do ente na totalidade”[xxxi]. Heidegger, ao associar a necessidade do silêncio frente a exploração técnica, visa reordenar o papel da humanidade em meio ao Todo, como o entre do Ser e do ente, como aquele que, em retenção “afina-se o ser-aí com vistas ao silêncio do passar ao largo do último deus. De maneira criadora nessa tonalidade afetiva fundamental do ser-aí (retenção), o homem torna-se o guardião desse silêncio”[xxxii].

O que se retem na presença silenciosa a ponto de Heidegger associá-la a “Deus”? O caráter “Sagrado”[xxxiii] da realidade, o caráter modal do ser dos entes, dos seres vivos; o que sustenta a própria pluralidade de desvelamento do ser dos entes no entre que é o ser-aí humano: a dimensão espiritual/formal da realidade, do Todo.

Não precisamos ir muito além para a compreensão desse nexo vital entre Silêncio e Dimensão Espiritual da Vida: Helena Blavatsky, em A Voz do Silêncio[xxxiv], nos diz que, a voz do silêncio nada mais é que “a voz no som espiritual”[xxxv].

A exploração humana-técnica resguarda um acesso ao Real onde, para poder extrair e se beneficiar, a dimensão material[xxxvi] ganha prioridade frente a dimensão espiritual da Vida. O que queremos aqui então, dizer por dimensão espiritual da Vida? Ter de responder a esta simples pergunta, já nos mostra o quão perdido estamos. De saída, ouçamos o que Bergson tem a nos dizer sobre isso:

“Saber olhar o mundo sensível é ‘prolongar a visão do olho por uma visão do espírito’, é, ‘por um potente esforço de visão mental, perfurar o invólucro material das coisas e ir ler a fórmula, invisível ao olho, que desfaz sua materialidade’”[xxxvii].

A Sabedoria Originária legada por Plotino e analisada por Pierre Hadot, nos ajuda a entender esse dilema, em seus estudos sobre o Plano Formal e Espiritual e sua conexão com o Plano Sensível e Material nos diz que

“Qual é então a relação entre o mundo das Formas e o mundo sensível? Se o primeiro pode ser visto através do segundo, se a visão do espírito pode prolongar a visão do olho, é por haver continuidade entre os dois mundos, é porque são a mesma coisa, mas em dois níveis diferentes. Plotino insiste fortemente sobre essa continuidade: ‘como este mundo aqui poderia existir se estivesse separado do mundo espiritual?’”[xxxviii]

De que nos importa as contribuições de Plotino? Com essas contribuições, podemos compreender que há uma interligação entre Ser e Plano Espiritual: a multiplicidade ontológica da realidade reside em sua fundamentação no Plano Espiritual; o desvelamento destas modalidades ontológicas reside no entre que é o próprio ser-aí humano, A Clareira do Ser.

Como um perspectivismo que consegue ser canal ao captar a transição da manifestabilidade de “algo 2D para o 3D”, o ser-aí humano é o próprio entre do Plano Material e Espiritual, do Plano do Ser e do ente.

Talvez um diálogo com Bachelard na Poética do Espaço, no capítulo “A Imensidão Íntima”, nos ajude a compreender este entre[xxxix] constitutivo da Condição Humana:

“A imensidão está em nós. Está presa a uma espécie de expansão do ser que a vida refreia, que a prudência detém, mas que volta de novo na solidão. Quando estamos imóveis, estamos além; sonhamos num mundo imenso. A imensidão é o movimento do homem imóvel. [xl]

(...)

Por paradoxal que pareça, é frequentemente essa imensidão interior que dá sua verdadeira significação a certas expressões referentes ao mundo que se oferece à nossa vista. Para discutir sobre um exemplo preciso, examinemos de perto a que corresponde a imensidão da Floresta. Essa ‘imensidão’ nasce de um corpo de impressões que não derivam realmente das informações do geógrafo. Não há necessidade de permanecer nos bosques para conhecer a impressão sempre um pouco ansiosa de que nos ‘aprofundamos’ num mundo sem limite.

(...)

Há outra coisa a exprimir, além daquilo que se oferece objetivamente à expressão. O que seria necessário exprimir é a grandeza escondida, uma profundidade.

(...)

A floresta é um estado de alma.”[xli]

Esse Estado de Alma, que também podemos compreender como um Modo de Presença ou o que Heidegger chama de Cuidado, é justamente a assunção através do entre do Plano Espiritual/de Ser e o Plano Material da Realidade que somos. A Grandeza possível de um ser só se exprime em relação com a imensidão íntima da Presença Humana.


Catarina Nhimbopyruá durante Vivência de Fitoterapia Indígena na Aldeia Tapirema.

Créditos: Vivência na Aldeia e Cultive Resistência.


REFERÊNCIAS [i] Devir enquanto a passagem da Ideia para o Manifesto. [ii] “abertura da realidade” e produção de conhecimento. [iii] O ser dos entes. [iv] História enquanto Solo de Sustentação de Mundo, por isso: Tradição. Não Historiologia, estudo da história, mas radicalmente História: Saberes que se enraízam na Vida e possibilitam a experiência da presença humana em relação de uma forma correspondente a abertura de nossa Época. [v] ἀλήθεια: Verdade, desvelamento, desencobrimento. “Conceito” importante no interior do pensamento grego ancestral e para o pensador Martin Heidegger. Descreve o movimento de fenomenologização dos fenômenos, a aparição (dar-se) do ser dos entes. Cf HEIDEGGER, M. Platão: O Sofista. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012. [vi] HEIDEGGER, M. A Questão da Técnica. In: Ensaios e Conferências. Petrópolis: Editora vozes, 2012, p. 17. [vii] Há uma importante ressonância entre “Técnica”, “Ciência”, “maquinação calculadora” etc. com Colonialidade, Patriarcado, Racismo, Capitalismo etc., não sendo algo possível de destrinchar aqui, mas percebemos já de saída o fato de que respondem ao apelo da mesma essência: Exploração. Também reside um indicativo interessante para futuras explicitações: a nível ontológico, a própria Era Técnica serve como disposição afetiva/ontologia que dá condições de possibilidade para fundamentação e alastramento de formas de presença relacional que ressoem ao apelo exploratório da Técnica. [viii] Ποίησις: poética. [ix] HEIDEGGER, M. A Questão da Técnica. In: Ensaios e Conferências. Petrópolis: Editora vozes, 2012, p. 19, grifo nosso. [x] Desenvolvemos esse nexo vital (cura e sofrimento da mãe terra com o ser humano) em outro trabalho. Cf. FONCK, A. Ensaio Introdutório de Psicopatologia Ecofenomenológica Decolonial: Dos Saberes e Práticas de Cura dos Povos Originários da Terra. São Paulo: Instituto Dasein, 2022. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1rWYe-ZqWhpWxFgk1jtUNJdOAgSOYMAUY/view. Mas também presente na crítica de Kopenawa ao empobrecimento de espírito do homem branco, em: KOPENAWA, D. & ALBERT, B. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. [xi] Sustento, em seu duplo aspecto: de “nutrição” e fundamento (Grund). [xii] Onotológico, mas também Onto-Teo-Lógico: Ontológico, e em seus aspectos espirituais/Formais (como em Plotino. Cf HADOT, P. Plotino ou A Simplicidade do Olhar. São Paulo: É Realizações, 2019). [xiii] Mas também dos entes no geral. [xiv] Χωρισμός [chorismós, separação]. [xv] HEIDEGGER, M. Contribuições à Filosofia (Do Acontecimento Apropriador). Rio de Janeiro: Via Verita, 2015, p. 30, grifo nosso. [xvi] Sempre desvelamento ontológico, de ser: ἀλήθεια [Aletheia, verdade]. Cf Ser e tempo. Campinas: Editora da Unicamp; Petrópolis: Editora Vozes, 2012. [xvii] HEIDEGGER, M. Contribuições à Filosofia (Do Acontecimento Apropriador). Rio de Janeiro: Via Verita, 2015, p. 280-2, grifo nosso. [xviii] Ou seja, modo de ser. [xix] E da própria Natureza como um todo, portanto: Φύσις [Phýsis]. [xx] “Respeito vem de ‘respicere’, saber ver. Você vê por trás de cada coisa um episódio do divino, como em você. Quando não deseja (ter) as coisas, não pense que você as trata pior, você as trata melhor. Porque respeita as coisas por elas mesmas e não pelo que elas podem te servir”. GALVÃO, L. H. A Voz do Silêncio de Helena Blavatsky - Comentários Filosóficos. Brasília: Nova Acrópole Brasil, 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NQs4bA4hMUw&ab_channel=NOVAACR%C3%93POLEBRASIL [xxi] HEIDEGGER, M. A Questão da Técnica. In: Ensaios e Conferências. Petrópolis: Editora vozes, 2012, p. 19. [xxii] Dos saberes; Cultura, história, Fundadas em (e fundantes de) uma ontologia. [xxiii] Como nos aponta Sidarta Ribeiro, em “Sonho manifesto: Dez exercícios urgentes de otimismo apocalíptico”. [xxiv] Em nossa relação com os viventes, com a natureza. Radicalmente ζωή [Zoé, vida]: “A ζωή, a ‘vida’ ou ‘forma de vida’, é um termo técnico neoplatônico que designa, em relação à alma, a sua maneira de estar em movimento ou em ação ou, como o explica Hermias em seu comentário sobre o Fedro de Platão, a alma sob o aspecto do movimento.” HADOT apud LIMA, D. C. Conhecimento de si como caminho filosófico em Platão, Plotino e Proclo. São Paulo: PUC-SP, 2018. p. 202. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/21491/2/Danllo%20Costa%20Lima.pdf Este movimento da alma, sempre é necessariamente relacional (e ontológico). [xxv] Cf CABRAL, A. M. Niilismo e Hierofania: Uma abordagem a partir do confronto entre Nietzsche, Heidegger e a tradição cristã – Nietzsche, cristianismo e o Deus não-cristão, volume 1. Rio de Janeiro: Mauad X, Faperj, 2014. 2v, ênfase em “Capítulo 1: A Caracterização primária da morte de Deus e a gênese do problema do niilismo” p. 77 e segs. [xxvi] Cf HEIDEGGER, M. Serenidade. Portugal: Instituto Piaget, 2000. Disponível em: http://www.unirio.br/cch/filosofia/Members/ecio.pisetta/Biblio.Heidegger.Serenidade.1.pdf/view & HEIDEGGER, M. Caminho do Campo. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1969. Disponível em: https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2014/03/heidegger-sobre-o-problema-do-ser-a-caminho-do-campo.pdf [xxvii] HEIDEGGER, M. Contribuições à Filosofia (Do Acontecimento Apropriador). Rio de Janeiro: Via Verita, 2015, p. 27. [xxviii] O entre do ente e da entidade; parição de ser (entidade) do ente em relação ao próprio movimento da alma: fazer-vivo, em relação a própria presença humana. Trazer à luz (verdade) um aspecto ontológico possível da entidade em questão. [xxix] Ibid., p. 31. [xxx] Aqui temos a ressonância Platônica em Heidegger, onde o ser-aí humano é o canal de manifestabilidade da Ideia (ιδέα: idéa), norteados por esta, somos radicalmente Cuidado por sermos Verdade (αλήθεια; des-velamento. Desvelamento de Ser, desvelamento que traz da Ideia ao manifesto). Cf HEIDEGGER, M. As Questões Fundamentais da Filosofia: (“problemas” seletos da “lógica”). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017. & WIBMER, E. H. B. Metafísica como Onto-Teo-Logia: uma interpretação da filosofia de Platão à luz do pensamento de Martin Heidegger. Rio de Janeiro: PUC-RIO, 2008. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=12369@1 [xxxi] Ibid., p. 31-2. [xxxii] Ibid., p. 33. [xxxiii] Cf CABRAL, A. M. Niilismo e Hierofania: Uma abordagem a partir do confronto entre Nietzsche, Heidegger e a tradição cristã – Nietzsche, cristianismo e o Deus não-cristão, volume 1. Rio de Janeiro: Mauad X, Faperj, 2014. 2v. [xxxiv] Livro em que nos apresenta os Saberes Originários da Terra dos Povos do Tibete. [xxxv] BLAVATSKY, H. A Voz do Silêncio. São Paulo: Ajna Editora, 2021, p.31: “A voz sem som, ou a ‘voz do silêncio’. Literalmente, isto devia talvez traduzir-se ‘voz no som espiritual’, visto que Nada é o equivalente sânscrito do termo senzar”. Aqui vemos a ressonância entre Silêncio e Nada, assim como o clamor da consciência (uma voz sem voz) para Heidegger em Ser e Tempo e a questão do silêncio nas Contribuições à Filosofia. [xxxvi] Sobre Dimensão Material e Dimensão Formal/Espiritual da Vida, cf: HADOT, P. Plotino ou A Simplicidade do Olhar. São Paulo: É Realizações, 2019. [xxxvii] HADOT, P. Plotino ou A Simplicidade do Olhar. São Paulo: É Realizações, 2019, p. 40. [xxxviii] Ibid. p. 43. [xxxix] Que Heidegger chama de Acontecimento Apropriativo, Cf: HEIDEGGER, M. Contribuições à Filosofia (Do Acontecimento Apropriador). Rio de Janeiro: Via Verita, 2015. [xl] Imobilidade enquanto qualidade silenciosa de não acrescentar nenhuma camada ao que se mostra. [xli] BACHELARD, G. §7 da Poética do Espaço, “A Imensidão Íntima”. In: O Novo Espírito científico; A Poética do Espaço (Coleção Os Pensadores). São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 228 e segs.


SOBRE O AUTOR


Psicólogo (PUC-SP - ProUni), especialista em Psicologia Fenomenológica e Hermenêutica (Instituto Dasein) e Coordenador Acadêmico do Instituto Dasein. Co-criador do Coletivo Outro Pensar, grupo de estudos não hierárquico do Instituto Dasein, que visa a polinização da fenomenologia hermenêutica como estilo de análise em interface com: ética daseinsanalítica e clínica ampliada, Historicidade e questões contemporâneas, Ecofenomenologia e Espiritualidade. Integrou o Coletivo Organizador da Semana Acadêmica de Psicologia e Fenomenologia da PUC-SP (desde sua criação em 2017 até sua quarta edição em 2020). Atualmente se dedica principalmente ao estudo dos seguintes assuntos: (r)existências periféricas e produção de valores; ecofenomenologia em interface com os saberes e práticas de cuidado dos povos originários da terra; sofrimento existencial, historicidade e contemporaneidade; daseinsanálise e práticas psi.; ciência, natureza, ontologia e técnica.



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