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Conhecendo a obra Mecanismos Invisíveis de Controle Social

há 6 horas
2 min de leitura

Se a neurose não é apenas um fenômeno individual, mas um processo socialmente produzido, de que maneira a sociedade participa da constituição daquilo que somos – isto é, da nossa subjetividade? É a partir dessa questão que nasce Mecanismos Invisíveis de Controle Social: Wilhelm Reich e a Função Política da Sexualidade, obra derivada da pesquisa de mestrado da autora, que se fundamenta em uma das premissas centrais da teoria reichiana: a neurose é socialmente produzida. Ao compreender a subjetividade como inseparável das condições históricas, políticas e culturais que organizam a vida social, Wilhelm Reich desloca a compreensão do sofrimento psíquico para além do indivíduo e evidencia que a sexualidade, em seu sentido mais amplo, ultrapassa a esfera privada da experiência para assumir uma função política. É justamente por essa razão que sua repressão deixa de ser entendida apenas como uma questão moral ou cultural e passa a ser analisada como um dos mecanismos por meio dos quais os sujeitos são produzidos e governados. 

Partindo dessa perspectiva, o livro coloca a teoria de Wilhelm Reich em diálogo com contribuições da antropologia, da filosofia e da psicologia para analisar sociedades cujas formas de organização da vida coletiva diferem das verificadas na modernidade ocidental. O estudo constrói um percurso histórico que evidencia que categorias como família, infância e sexualidade não constituem realidades universais e imutáveis, assumindo configurações distintas conforme as formas de organização da vida social. Ao desnaturalizar essas categorias, a obra revela seu caráter histórico e evidencia como elas podem ser reorganizadas para responder às necessidades de diferentes projetos societários, chegando, na atualidade, às formas de subjetivação articuladas à racionalidade neoliberal e à financeirização da vida. 

Ao retornar ao contexto contemporâneo, a pesquisa  investiga como essas transformações históricas reconfiguram os mecanismos pelos quais a subjetividade é produzida e, com ela, as formas atuais de controle social. A obra reafirma a atualidade da teoria reichiana e convida o leitor a compreender que os mecanismos de controle social identificados pelo autor não se restringem ao contexto histórico em que foram formulados. Ao contrário, renovam-se continuamente, assumindo novas configurações e preservando sua centralidade na produção das formas de sentir, desejar e existir.


Ana Clara Pequeno é psicóloga, mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e especialista em Psicologia Social Crítica. Estuda a obra de Wilhelm Reich há quase uma década e desenvolve pesquisas sobre subjetividade, cultura e política a partir da teoria reichiana.



 
 
 

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